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VIDECOM - Soluções em vídeo comunicação

Moysés Baumstein, uma breve biografia

Moysés Baumstein atuou nos mais diversos campos, da criação literária à pintura e da produção cinematográfica à holografia, movido por uma curiosidade e perseverança raras.

Com uma formação acadêmica multidisciplinar em economia, sociologia, matemática e teatro, ele mostrou ser um verdadeiro "homem da Renascença", que reuniu a arte e a ciência em todas as suas realizações.

Uma irreverência demolidora contra todos os conceitos preestabelecidos fazia parte de seu caráter, em certa medida complementando um espírito inquisidor que buscava incessantemente novas formas de expressão aceitando todos os tipos de desafios.
Aliado a esta inquietação criativa um humor mordaz e crítico permeava sua existência. Um senso de humor universal com uma base tipicamente judaica fundamentado no non sense mais absoluto.

Sua produção artística e literária refletia fielmente sua personalidade, tendo como bases estéticas o grotesco e o absurdo, a chamada "mistura de níveis ontológicos", ou seja, o humano integrado ao mecânico, o mineral ao orgânico, mas sempre em um contexto bem humorado e satírico.

O princípio que o moveu a procurar durante toda sua vida por diversas formas de expressões visuais foi o impacto causado por uma imagem de infância:
- Ao passar por uma vitrine de loja na década de 40 viu um pequeno retrato importado: havia na superfície um plástico ou vidro ondulado e mostrava uma mulher que parecia uma estátua, pois era tridimensional. Era algo novo para a época e inacreditável para o jovem e curioso Moysés, então com mais ou menos 15 anos.
Que processos eram utilizados para se chegar àquele "milagre", àquela sensação de "hiper-realidade"?
Uma pesquisa de 40 anos começava com um mergulho na fotografia, passando depois pela química, desenho, pintura, técnicas de fotomecânica, artes gráficas, cinema, vídeo...

• HOLOGRAFIA
• TEATRO/CINEMA/VÍDEO
• ARTES PLÁSTICAS
• LITERATURA
• Relação de Exposições, Filmografia e Videografia


HOLOGRAFIA

Impressionado com aquela imagem em três dimensões vista na vitrine (obtida por meio da sobreposição de uma placa de cristal ondulado em um processo chamado de anáglifo), Moysés Baumstein buscou informações sobre a estereoscopia. Comprou livros, adaptou filtros e começou a produzir imagens tridimensionais projetando imagens sobrepostas nas cores verde e vermelho e mais tarde com filtros polarizadores, permitindo a visualização tridimensional de fotos e filmes com óculos especiais.

Continuou a praticar a fotografia através dos anos, mas teve a oportunidade de se aprofundar quando entrou no campo das artes gráficas. Na direção de uma indústria gráfica a partir de 1968 (Símbolo S/A) obteve os meios para continuar suas pesquisas, aplicando-as ao meio impresso. Assim, editou varias publicações infantis experimentais com o uso de óculos verde-vermelho, até que em 1972, desenvolveu um sistema de fotografia e impressão tridimensionais com a aplicação de uma película de plástico ondulado sobre o impresso: o anáglifo (técnica então utilizada no Japão e nos Estados Unidos comercialmente).
Uma descoberta que não o satisfez, principalmente em termos artísticos/expressivos.
Em 1981, teve seu primeiro contato com a holografia, na época pouco explorada artisticamente e restrita quase que somente a laboratórios de pesquisa, porém com enormes possibilidades criativas. Apesar da pouca informação disponível no Brasil, ele rapidamente absorveu know-how, graças a sua formação "renascentista", para criar seus hologramas.

Suas primeiras experiências holográficas foram feitas em 1982 com um equipamento totalmente improvisado. Porém, uma nova perspectiva se abria, Moysés começou a produzir holografias como passatempo e para outros artistas plásticos. Até que a realização de um workshop com o artista e hológrafo alemão Dieter Jung em 1983 despertou sua necessidade de aperfeiçoar sua produção holográfica.

Em 1984 criou uma técnica de controle cromático em hologramas de reflexão inédita em todo o mundo. A precariedade de recursos o obrigava a inovar para obter resultados cada vez mais impactantes. Tal técnica foi ironicamente batizada de "Bafo System of Color Control". A partir disso, equipou melhor seu laboratório e iniciou uma produção constante. Realizou Hologramas, sua primeira exposição individual de holografias, no Museu da Imagem e do Som (MIS) em São Paulo: 20 obras no sistema reflexão.

Sua produção cresceu qualitativamente e quantitativamente, começando também a se direcionar para a área comercial. Confeccionou displays holográficos para uso promocional em feiras, eventos e outras aplicações na área de marketing. Moysés conseguiu obter formatos de até 1 m X 80 cm, e seus clientes foram basicamente os departamentos de promoção de diversas empresas e agências de propaganda.
A holografia comercial passava a ser uma realidade no Brasil.

Moysés também desenvolveu pesquisas na área do cinema holográfico, tendo construído com o artista Wagner Garcia um protótipo de um kinetoscópio holográfico - um aparato baseado nos primórdios do cinema onde eram colocadas placas holográficas com imagens seqüenciais, visualizadas através de um sistema sincronizado de luz estroboscópica mais lentes plásticas de grandes dimensões. O resultado tornava possível a visualização da animação destes "frames tridimensionais" no espaço.

Paralelamente, Moysés continuou a desenvolver holografias para fins comerciais, chegando à holografia impressa, uma forma de produção holográfica em massa utilizando um suporte de poliéster metalizado, cujo know-how era dominado por no máximo dez empresas em todo o mundo. Fundou, em 1988, a Holobrás, uma empresa que produzia e comercializava hologramas impressos e que em apenas um ano chegou a atingir 45% do mercado brasileiro deste tipo de impresso. Moysés chegou a desenvolver uma máquina especial para a estampagem do poliéster com grande produtividade. Porém, com o plano Collor, houve um aumento da recessão, fazendo com que a Holobrás fosse desativada dois anos depois. Assim, a atividade holográfica comercial continuou somente com a produção dos painéis e displays holográficos de forma mais artesanal e a atividade artística, com trabalhos individuais.
As realizações de Moysés em holografia continuaram até o final de sua vida Foi sua obra mais extensa em termos produtivos: entre hologramas comerciais (ver link HOLOGRAFIA COMERCIAL ) e artísticos chegou a ultrapassar a marca dos 280 trabalhos.

TEATRO/CINEMA/VÍDEO

Suas primeiras experiências em termos de técnica cinematográfica foram realizadas no final da década de 50 com a bitola de 16mm, mas diante dos custos de realização elevados abandonou o cinema derivando suas atividades para o teatro.
Assim, cursou no princípio dos anos 60 a Escola de Arte Dramática da USP (EAD) sob a direção de Alfredo Mesquita.
Começou a escrever e a dirigir algumas peças experimentais, e a produzir textos para a televisão para os chamados Teleteatros apresentados na TV Tupi e TV Excelsior de São Paulo (As 9 Horas Sem Falta, com Dioniso de Azevedo, A MISS, entre outras) até 1966/67, quando suas atividades profissionais levaram-no à área gráfico-editorial.
Na década de 70 com a difusão do formato Super-8 a realização cinematográfica passou a ser possível dentro de uma estrutura de custo razoável, e com recursos técnicos bastante sofisticados.

Surgia em certa medida, uma forma prática de registro cinematográfico com uma relativa qualidade, o que causou uma explosão mundial no uso dessa bitola.
Incentivado por Abraão Berman , que montara um centro de estudos e de cursos sobre o cinema Super-8 em São Paulo, o GRIFE, Moysés começou a escrever e produzir novamente para cinema. Festivais de filmes SUPER 8 foram sendo organizados em todo o mundo de modo a canalizar a ânsia pelo "novo" meio de comunicação. Moysés, entusiasmado, produziu intensamente, usando de seu humor particular, um total de mais de 20 filmes no período de 6 anos. As participações em festivais tornaram-no um dos três realizadores mais premiados do Brasil e no exterior.

Todos os seus filmes, realizados na década de 70, de alguma forma exprimem um humor mordaz e crítico, nos quais os temas mais comuns abordavam os meios de comunicação, o massacrado cotidiano, a cultura "padrão", e as patrulhas ideológicas, todos os dogmas eram atacados, mesmo os chamados temas políticos e sociais, em uma época onde eles eram considerados intocáveis. Ninguém era perdoado, esquerda ou direita...Com a decadência do Super 8, no início da década de 80, no Brasil, e com o advento do vídeo, transfere sua produção para este novo meio.

A criação da VIDECOM, uma produtora independente com seu filho Alberto, abriu a ele a possibilidade de prosseguir com suas bem-humoradas realizações, dessa vez direcionadas para uma linha de programação alternativa para a televisão. Participou de diversos Festivais e Mostras Independentes sendo premiado em várias ocasiões.


ARTES PLÁSTICAS

Na busca da imagem, o desenho sempre fez parte de suas atividades até que no final da década de 50 iniciou sua carreira na pintura com o mestre catalão Juan Ponç, com quem fundou o atelier L' Espai, em 1960.

Desenvolveu seus primeiros trabalhos com pintura em óleo sobre tela, mas foi no desenho a nanquim que a expressão de seu universo grotesco se expandiu, chegando a expor entre 1962 e 1967 na IX Bienal de São Paulo, na 1a. Semana Nacional de Artes Plásticas e no XV Salão Paulista de Arte Moderna.

Nessa mesma época fez sua primeira exposição individual na Galeria Seta em São Paulo (1966). Mais tarde, com o artista plástico Gruber aprendeu a arte da gravura sobre metal, como um desenvolvimento dos seus trabalhos. Sua experiência no campo das artes gráficas e da fotomecânica permitiu que ele experimentasse processos de fotogravura em cobre, criando um extenso conjunto de obras até 1972, ainda inéditas.

Na década de 80 voltou ao desenho com uma série de temas originais e bem-humorados denominados de Bicaras, inspirados em obras do final do século XIX que podiam revelar imagens surpreendentes quando viradas de cabeça para baixo.

A pintura foi também retomada nessa nova temática com materiais mais atuais como o acrílico sobre tela. Enfim, uma intensa atividade artística com a produção de inúmeras obras com diferentes técnicas.


LITERATURA

Ao lado de Jacob Guinsburg, fundou a Editora Perspectiva, na década de 60, uma decorrência do fato de já ter publicado diversos ensaios sobre economia e sociologia no período acadêmico. Na editora teve oportunidade de conviver com os autores da casa, mentes brilhantes como a de Anatol Rosenfeld. Além disso, passou a exercitar seus talentos literários com pequenos textos e contos esparsos.

A influência de Jacob Guinsburg e a experiência com a editora levaram-no a uma brusca mudança profissional. Em 1968, encabeçando um grupo de investidores, fundou a Símbolo S/A Indústrias Gráficas, firmando de maneira definitiva a sua inserção no contexto gráfico/editorial, o que lhe deu subsídios para realizações em artes plásticas. Com a formação da Edições Símbolo em 1976, passou a defender um projeto editorial voltado para o autor nacional, e para a literatura brasileira, que resultou também na publicação de seu primeiro livro As Máquinas, no qual o humor negro, e uma concepção estética nitidamente baseada no grotesco e na ficção cientifica dominavam seus contos.

Sua atividade literária foi interrompida por algum tempo até ser convidado nos anos 80 a escrever uma coluna quinzenal sobre humor judaico (uma de suas paixões). Durante mais de três anos publicou crônicas na coluna De Moisés a Moysés no jornal A Resenha Judaica, voltado para a comunidade judaica de São Paulo.

Moysés Baumstein sempre morou na cidade de São Paulo. Considerava-se uma "criatura urbana que não podia sobreviver ao ar puro do campo". Foi casado por 37 anos com Sarah Baumstein com quem teve três filhos: Alberto, Fábio e Ricardo, que ao longo dos anos se imbuíram de seu sentido renascentista e trabalharam com ele em inúmeras atividades... o legado de Moysés continua. Uma existência intensa e uma busca contínua por novos desafios foram uma pequena amostra da vida de MOYSÉS BAUMSTEIN.

Leia mais sobre ele na Wikipédia.


Exposições Artes Plásticas e Holografias (resumo):

1966 - 1a. Semana Nacional de Artes Plásticas; São Paulo V Salão Paulista de Arte Moderna; São Paulo.
Nesta mesma época fez sua primeira exposição individual (desenhos à Nanquim) na Galeria Seta em São Paulo (1966)

1967 - X BIENAL- São Paulo, desenhos à nanquim e gravuras.

1983 - Primeiras Experiências com Holografia
1983 - Realização de Hologramas para a artista plástica Sulamita Marenes; São Paulo

1984 (Junho/Setembro) - Exposição itinerante de holografia pela Alemanha através do Deutches Filmmuseum de Frankfurt (a convite de Dieter Jung)
1984 (Outubro/Dezembro) -"HOLOGRAMAS" no Museu da Imagem e do Som (MIS) exposição individual com 20 obras no sistema reflexão; São Paulo.
1984 (Dezembro) - VII Salão Nacional de Artes Plásticas Museu de Arte Moderna , Rio de Janeiro.

1985 (Outubro/Dezembro) - HOLOGRAMAS DÍPTICO, XVIII. BIENAL - São Paulo.

1986 (Novembro/Dezembro) - Projeto Rosso, como artista convidado, na Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP); São Paulo
1986 (Dezembro/Janeiro’87) - TRILUZ, no Museu da Imagem e do Som (MIS) com Augusto de Campos, Décio Pignatari, Júlio Plaza e Jose Wagner Garcia; São Paulo

1987 (Abril) - HOLOGRAFIAS - individual no Centro Cultural São Paulo; São Paulo.
(Outubro) - HOLOGRAMAS, individual no Salão de Belas Artes de Piracicaba; Piracicaba/SP 1987 (Outubro/Dezembro)- TRAMA DO GOSTO - instalação na XIX Bienal de São Paulo com projetos de Júlio Plaza Décio Pignatari e Augusto de Campos.
1987 (Novembro/Dezembro) - IDEHOLOGIA, no Museu de Arte Contemporânea da USP(MAC); São Paulo, com projetos holográficos próprios e tambem de Augusto de Campos, Décio Pignatari, José Wagner Garcia e Júlio Plaza.
O trabalho conjunto levou à realização de outras exposições destas obras do grupo no exterior
1987 (Dezembro) - IDEHOLOGIA, mais mostra uma individual dos trabalhos de Moysés- Fundação Calouste Gulbekian, Lisboa/Portugal
Galeria Horizontes na Espanha, (alem da venda de alguns hologramas para serem incorporados a coleções particulares nos Estados Unidos e Itália).

1987/1988 (Dezembro até Maio) - MISSÕES 300 ANOS, - Exposição itinerante com Trípitico Holográfico exposto no: Teatro Nacional de Brasilia; Brasilia, Parque Lage; Ruio de Janeiro; MASP São Paulo; Centro Cultural da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (onde foi incorporado ao acervo local).
TRILUZ, Galeria Diferença, Lisboa - Portugal.

1989 Ministrou um Curso de Pós-Graduação em Holografia (1 semestre) para alunos da Universidade de São Paulo
1989 (Outubro/Novembro) - Projeto COSMO, SESC- São Paulo

1990 (Outubro) - Exposição de Holograma para o SESC - São Paulo (comemoração centenário da morte do poeta ANTERO De QUENTAL)

2002 Centre Régional des Lettres de Basse-Normandie na França - poemas holográficos criados por Augusto de Campos e realizados por Moysés Baumstein foram expostos e incorporados ao acervo do Museu.

2007 Mostra Poesia Concreta – O Projeto Verbivocovisual, Instituto Tomie Ohtake em São Paulo e Palácio das Artes em Belo Horizonte.


Filmografia (SUPER-8):

1975 - A Operação/Ficção
- MIAU /Animação
- Hommo Pollutus/Ficção
- A Sessão/Ficção
- A Trágica, Demoníaca e Asquerosa Face da Verdade/Ficção

1976 - O Manuscrito/Ficção
1976 - O Asno Coroado/Ficção

1977 - Hipismo/Ficção
- Fotonovela/Ficção
- Nada a Declarar/Ficção
- "Inacabado"/Ficção

1978 - Método Homeopático/Ficção
- A Criação/Animação
- Pesquisa de Opinião Pública/Ficção

1979 - João e Maria, uma "Cocochanchada" Política/Ficção
- Liberdade, Igualdade, Fraternidade/Ficção

1980 - Ginástica Latina/Animação

1981 - Em Busca do Ouro/Ficção
- Trilogia Grotesca/Ficção
Videografia (dirigiu mais de 40 vídeos institucionais, empresariais e de treinamento entre 1982 e 1991 para a VIDECOM):

1984 - Pesquisa de Opinião Pública II/ Ficção

1985 - Capitão da Meia Noite/ Videoclip (para música homônima de Sá & Guarabira)

1986 - A Sopa/ Ficção
- A Maldição da Caveira/ Ficção

1991 - Trilogia do Último Minuto/ Ficção
Homenagem Especial pela sua obra

1992 - Exposição de Hologramas e mostra de Filmes e Vídeos - 9o. Festival VideoBrasil, SESC

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